Aluno de Psicologia participa de missão na Amazônia com apoio da “Franco Montoro”

A Faculdade Municipal “Professor Franco Montoro” esteve representada mais uma vez nas ações sociais da “Missão UNIVIDA”, através do estudante Kadu Ulisses da Silva, aluno do 8º semestre do curso de Psicologia, que em 2020 participou da 2ª “Missão UNIVIDA – Amazônia”. Nos dois anos anteriores, Kadu participou da “Missão UNIVIDA” em Dourados, no Mato Grosso do Sul.
A “Missão UNIVIDA” foi idealizada por ocasião da Campanha da Fraternidade de 2012, cujo tema era “Fraternidade e Saúde Pública”, em face da necessidade de recrutar e incentivar o trabalho voluntário entre os universitários de Santa Fé do Sul (SP). “A partir dessa premissa houve uma rápida e contundente sequência de acontecimentos que se desdobraram em movimentos significativos em favor daqueles cujas condições de vida os mantêm à margem da sociedade”, conforme anota o histórico da instituição no site www.univida.org.
A história da entidade está diretamente vinculada às missões humanitárias de atendimento aos indígenas da reserva de Dourados. “Embasadas no trabalho voluntário de universitários, foram três as oportunidades de integração destes alunos à realidade deste povo marginalizado, com resultados relevantes para ambas as partes envolvidas. O Projeto MOSA – Missão Odontológica Santa Apolônia, Missão Guarani Kayová e a Missão Multidisciplinar Eko, sendo esta de caráter multiprofissional.”.
Considerados os resultados somados das primeiras empreitadas, julgou-se necessária a formalização das intenções desse trabalho voluntário através da criação da Associação dos Universitários Voluntários em Defesa da Vida – UNIVIDA, que tem como fundador e presidente o padre Eduardo Alves de Lima, pároco da Paróquia São Benedito, na cidade paulista de Urânia. É sob sua orientação espiritual e religiosa que a ONG atua.
A Faculdade Municipal “Professor Franco Montoro” proporcionou todas as condições para a participação de Kadu Ulisses na 2ª “Missão UNIVIDA – Amazônia”, desde sua preparação teórica até o custeio das despesas de ida e volta da viagem, de Jacutinga (MG, onde reside) a Manaus. Na capital amazonense o estudante se junto a outros grupos de universitários para árdua jornada de barcos até as comunidades a serem atendidas.
Do porto de Manaus, as equipes partiram para o Distrito de Barreirinha e depois para as aldeias Ponta Alegre, Simão e Molungatuba, onde permaneceram os primeiros dias. Depois seguiram para a Comunidade Quilombola Matupiri. A jornada de ida durou 45 horas e de volta, 70 horas. Não foram poucos os desconfortos enfrentados pelos universitários, a começar de ter de dormir em redes nos barcos.
Além de apresentar um relatório completo da viagem e das atividades realizadas durante a missão, Kadu Ulisses respondeu por e-mail algumas perguntas para elaboração desta matéria institucional da “Franco Montoro”, disponível no site da Faculdade (www.francomontoro.com.br) e também distribuída para a imprensa na forma de release. As fotos foram fornecidas pelo estudante. A seguir, a entrevista.
P: Você já participou de edições anteriores da “Missão UNIVIDA”, mas esta foi sua primeira participação na “UNIVIDA – Amazônia”. Como foi essa experiência?
R: Já sim, já participei da VIII e IX Missão UNIVIDA em Dourados. Participar da II MisSão UNIVIDA em Manaus foi diferente em vários aspectos. Uma das diferenças foi compreender as influências e aspectos culturais para proceder com o atendimento, visto que são muito diferentes das apresentadas em Dourados, e se diferem muito da que temos em São Paulo. Assim, se fosse feito uma análise rasa ou superficial destes fenômenos, nos atendimentos nós poderíamos naturalizar ou não perceber ações que eram manifestas como sofrimento psíquico para eles, além da longa viagem de Manaus para as aldeias, cerca de 45 horas para ir e 70 para retornar.
P: Além, obviamente, das regiões, que diferença você percebeu entre o projeto na Amazônia e o de Dourados?
R: Havia uma similaridade nas queixas apresentadas, como violência dos direitos das mulheres, crianças e adolescentes, muitas atitudes agressivas e violentas. Um dos casos que mais me chamou a atenção foi de um senhor que apresentava crises de ansiedade após a perda de seu pai e de um filho prematuro, o que destoou no que estava sendo relatado no momento.
Em uma forma organizacional a Missão da Amazônia foi mais “íntima”, eram menos pessoas que a de Dourados, cerca de 90 pessoas, e em razão da viagem no rio ficamos todos juntos, trocando vivências e experiências, o que tornou o atendimento mais fluído. Além de que como todos adoeceram no segundo dia de viagem, as equipes tiveram que se cuidar dentro das limitações e condições possíveis.
P: Qual foi a contribuição dessas experiências para sua formação no contexto do curso de Psicologia, bem como no aspecto mais pessoal?
R: Chega até a ser um pouco difícil fugir do clichê para responder, mas em aspectos acadêmicos creio que esta missão em específico me trouxe confiança e segurança quanto ao conhecimento adquirido na graduação. Na viagem não havia profissional da Psicologia para supervisão, éramos em três graduandos e uma recém-formada, assim precisávamos trocar conhecimento para termos condutas éticas, profissionais e precisas em cada procedimento, e conseguimos.
Na esfera pessoal creio que me auxiliou a reconhecer limites, sejam físicos, uma vez que todos tiveram diarreia durante a viagem, emocionais, visto a impossibilidade de comunicação com os entes queridos, e psicológicos, sendo que a demanda era grande, os casos eram pesados e havia poucas pessoas para auxiliar nos atendimentos, assim era necessário estabelecer e reconhecer limites para que a ajuda oferecida não trouxesse desgaste e sofrimento para nós.
P: De que maneira você pode compartilhar essas experiências com seus colegas de turma?
R: Uma das formas que pude compartilhar foi durante uma aula em que comentei o manejo com um caso que atendi, durante a aula expliquei a demanda apresentada, a conduta que tive, o processo de acolhimento, como todo o processo aconteceu e os resultados. Como neste caso fui construindo junto com a criança o desenho como forma de formar vínculo, ao fim apresentei para a turma o desenho concluído, relatando o que foi trabalhado em cada parte e como a criança se desenvolveu no processo.
P: O que o apoio da Faculdade Municipal “Professor Franco Montoro” representou para você?
R: A “Franco Montoro”, além de me preparar teoricamente para este trabalho, se responsabilizou com o transporte de Mogi Guaçu para São Paulo e meu retorno, e custeou a passagem aérea de São Paulo para Manaus, tendo sido completamente atendido pelo Professor Márcio (Márcio Antonio Ferreira, diretor administrativo), Professora Renata (Renata Mauri, diretora acadêmica) e o motorista “Mineiro” (Claudinei Dias de Lima).